domingo, 30 de setembro de 2007

O (mau) perfil do político português.

Acabei de ler a crónica da Doutora Maria Filomena Mónica, no jornal "O Público", sobre o secretário de estado da Educação, Valter Lemos. Para além de ser, uma forte crítica ao curriculum e às ideias do secretrário de Estado, traça o perfil do "mau" político português e dos principais responsáveis pelo fraco desenvolvimento de Portugal nos últimos 10/20 anos.
Este perfil é marcado pelas "amizades portuguesas", por uma promoção a cargos em instituições públicas com pouca relação pelas ideias, pelas estratégias e pelo mérito e por muito "xico-espertismo".
Algumas das características que gostaria de realçar é o facto de um mestre ter um cargo de chefia num politénico (enquanto muitos doutores quando concorrem a politécnicos ficam de fora) e o facto de quase ter perdido o mandato de vareador por faltas injustificadas, devido à acumulação de funções num politécnico.
Acredito que existam políticos de carisma e de elevada competência, no entanto, sinto que as últimas duas décadas, Portugal tem estado minado com políticos destes, vazios de ideias e de estratégias (muitas vezes devido a uma formação insuficiente ou inedequada), com recalcos pessoais de um período pré e/ou pós 25 de Abril e cujo seu único objectivo enquanto representantes de cargos políticos é o enriquecimento pessoal e o protagonismo.
É de notar também é a acumulação de cargos, que começa a ser habitua" numa determinada geração, possivelmente devido ao elitismo do Estado de Novo e à necessidade de protagonismo, riqueza e de poder (mesmo que não o usem). No fundo, "matar uma sede" imposta durante 40 anos pelo regime Salazarista.
Este acumulação é geradora de desemprego (cargos que deveriam ser atribuidos a X pessoas ficam atribuidos a apenas 1) e de incompetência (já que 1 pessoa não é capaz de gerir tantas funções).

Este políticos não fazem falta a Portugal e pelo contrário, prejudicam gravemente o desenvolvimento do país e deveriam ser retirados do sistema quanto antes. Infelizmente, parece que muitos deles vão permanecer até ao fim da sua vida activa e sairão do sistema com a habitual reforma que em muitos dos casos será verdadeiramente "milionária".

Como diria José Afonso:

"Eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada...."

Assim, prevejo que daqui a 10/20 anos quando muitos destes senhores/as se reformarem exista uma verdadeira mudança no país. Portugal terá, nessa altura um sistema mais democrático, onde o centralismo do poder estará perto da sua inexestência, onde a atribuição de cargos estará mais próxima das reais qualificações das pessoas, mas numa altura em que se estará a enfrentar um dos maiores desafios da Europa, e especialmente em Portugal, no principio do séc. XXI, uma segurança social com custos elevadissimos e uma taxa de natalidade verdadeiramente baixa. Talvez daí a outros 10/20 anos a situação mude....

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Eleições Universitárias e Cargos de Direcção

Com algumas reformas nas universidades, vêem algumas mexidas que acho importantes, especialmente nos cargos de chefia universitários.
Acho que é positivo que os estudantes e funcionários deixem de poder votar para a eleição do reitor. O tipo de eleição que existia era tudo menos democrático. Alguns poderam ficar espantados com esta minha afirmação mas vejamos.. A democracia é a governação do "povo" para o "povo". A força da democracia nasce de que "qualquer cidadão" pode ser eleito pelos outros cidadões. Ora bem, um "estudante" ou um "funcionário" pela especificidade do cargo não são elegiveis a reitores, assim sendo, não consigo perceber porque hão-de interferir no processo. Seria como os Espanhoís, pudessem votar nas eleições portuguesas (e vice-versa) porque simplesmente os dois países partilham a mesma fronteira.
Outra aspecto importante que caiu, apenas o investigadores e professores no topo de carreira poderem exercer tal cargo. Isto não só reduz a quantidade de candidatos mas a possibilidade de ter um "bom" reitor. Quem garante algum dos poucos candidatos em topo de carreira têm perfil para serem reitores? (Para ver o que considero um bom perfil, ver o post que coloquei sobre a história da Uni. de Stanford.)
Por outro lado, ao colocar-se pessoas no "topo da sua carreira" como reitores é tornar o lugar como figura puramente "ilustrativa", pois passa a ser visto como uma pré-reforma por pessoas com uma certa idadea e não um lugar de actividade e estratégia que faz falta a muito boas universidades.

Assim, defendo que qualquer cargo directivo, reitor, director, presidentes departamentos e centros de investigação diga apenas respeitos aos "doutores" mas que seja aberto a "qualquer doutor" que esteja a trabalhar naquela instituição.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

A sociedade e a mobilidade

Hoje a mobilidade da sociedade é um chavão apresentado no nosso quotidiano. Hoje é dito aos jovens que têm que se habituar a "trabalhar em qualquer ponto do globo em qualquer momento".

Um jovem adulto que se "vê obrigado pela sociedade" a não ter raízes parece uma atitude demasiado suicida para própria sociedade... Ora vejamos...

Relações pessoais/amorosas destruídas: como poderá um jovem adulto comprometer-se com alguém se não sabe onde estará nos próximos meses?

Baixa natalidade: como poderá um jovem adulto constituir família se não sabe onde estará nos próximos meses?

Crise no sector imobiliário: que casa comprará um jovem adulto se não sabe onde estará nos próximos meses?

Crise no sector bancário: que empréstimo bancário irá pedir um jovem adulto se não sabe onde estará nos próximos meses?

Instabilidade na segurança social: quem pagará a reforma de um jovem adulto que trabalhou em diferentes países?


A ideia de mobilidade fácil é importante e sedutora, no entanto, deve ser dada a opção de "escolha" ao indíviduo para ser "movido" e não uma imposição da sociedade.

domingo, 16 de setembro de 2007

Incentivos à Natalidade.

No outro dia ouvi uma notícia na rádio que achei interessante: aumento dos subsídios para apoiar a natalidade.
Esta medida é verdadeiramente paradoxal. Os salários em Portugal são baixos criando dificuldades aos casais mais jovens que querem ter filhos, e quando os têm, a terem mais do que um. O horário semanal de trabalho é longo, o que torna dificil o quotidiano e a educação dos filhos. O ensino em Portugal tem custos elevados. O custo da saúde em Portugal também tem aumentado. Os empregadores dificultam a vida às mulheres grávidas, chegando muitas vezes a despedi-las.
Perante estes desincentivos todos os Estado Português decide aumentar os subsídios numa tentativa de aumentar a natalidade. Não será isto uma tentative de matar a fome com umas migalhas? Não deveria o Estado tentar dar melhores apoios educativos e de saúde às crianças e aos jovens? Incentivar à formação especializada de maneira a que uma entidade empregadora se recuse a colocar uma mulher grávida no desemprego devido à sua mais valia na empresa? E a justiça funciona nestes casos?
Algmas destas questões não envolvem directamente o Estado e estão na responsabilidade dos empregadores, no entanto, em vez de "atribuir subsídios" acho que seria mais útil o Estado Português legislar e criar/melhorar infrastruturas para apoiar e incentivar a natalidade.

sábado, 15 de setembro de 2007

Universidades Privadas: EUA vs Portugal

Esta comparação para alguns não fará sentido, mas devido à forte tendência para privatizar o ensino superior português acho que vale a pena dar uma olhada na questão...

Recentemente descobri que na génese de duas famosas universidades privadas norte-americanas estão, respectivamente, dois milionários... Dois milionários que fundaram parcialmente ou totalmente as actuais universidades.

Este aspecto demonstra bem, que apesar do famoso "capitalismo americano", os americanos (pelo menos no passado) desenvolveram um fortissimo sentido cívico. É este "sentido cívico" que falta aos privados portugueses... Onde estão os milionários portugueses na génese de instituições educativas? Não estão... Alguns poderam falar na recente fundação Champalimaud, mas apesar de ter sido um gesto nobre e de grande importância não deixou de ser feita apenas em testamento... As universidades norte-americanas acima referidas nasceram ainda com a presença viva dos seus fundadores.

Outro aspecto interessante são as famosas doações feitas às universidades norte-americanas, exemplo do sentído civico, são forte fonte de receita das instiuições. Quais foram as doações feitas às universidades privadas portuguesas? Alguma que mereça um reconhecimento nacional? (A colecção de 200 obras do famoso escultor August Rodin, foram doadas por um milionário à Universidade de Stanford...)

Nesta questão e quando se fala de ensino superior privado em Portugal, resta-me perguntar... Onde anda o Eng. Belmiro de Azevedo? Onde anda José Berardo? Onde anda Jardim Gonçalves?
Por estas restas razões e mais algumas torno-me céptico quanto à privatização do ensino superior português....

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Excertos da História da Universidade de Stanford

-Leland Stanford escreveu:

"I attach great importance to general literature for the enlargement of the mind and for giving business capacity. I think I have noticed that technically educated boys do not make the most successful businessmen. The imagination needs to be cultivated and developed to assure success in life. A man will never construct anything he cannot conceive."

-Sobre o primeiro "Reitor" da Universidade:

"Go to the University of Indiana; there you will find the president, an old student of mine, David Starr Jordan, one of the leading scientific men of the country, possessed of a most charming power of literary expression, with a remarkable ability in organization and blessed with good sound sense. Call him."


Textos Retirados de:

http://www.stanford.edu/home/stanford/history/begin.html

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Radares em Lisboa: parte II

Recentemente foram apanhados condutores a fazerem corridas na Ponte Vasco da Gama, circulando a velocidades superiores a 200km/h. Será que ainda assim a Câmara Municipal de Lisboa acha problemática a circulação de automóveis a velocidades entre 50km/h e 80km/h dentro da cidade, em vias sem circulação de peões?

domingo, 2 de setembro de 2007

Os politicos portugueses no Youtube

As recentes utilizações de videos no YouTube por parte de Marcelo Rebelo de Sousa ou Paulo Portas marcam uma certa tendência para o uso das novas tecnologias para propaganda e debate politico.
Creio que esta tendência tem dois factores essenciais: a utilização de meios próprios para divulgação de informação sem intervenção de terceiros (jornalistas), que lhes possam alterar o conteúdo da informação e a a utilização de meio moderno, comum entre os jovens, com o objetivo de os seduzir politicamente. Enquanto o primeiro objectivo terá resultados positivos e imediatos, o segundo merece algum cepticismo. A pergunta que se coloca é simples, porque há-de um jovem ver um video no YouTube de um politico que lhe entra todos os dias pelos noticiários na Televisão?
Por outro lado, também se pode colocar outra questão, será que esta mudança de meio vai desassociar os actuais políticos das maneiras de agir e de pensar que tem levado os jovens ao desinteresse pelo mundo político e partidário?
A utilização do YouTube para fins politicos é extramente convidativo para "politicos anóminos". Políticos pouco conhecidos, que têm dificuldade de aceder aos meios de comunicação social mais tradicionais, onde a informação é mais tratada, seleccionada e consequentemente está mais viciada.
Os videos do YouTube são ideais para a divulgação de novos pensamentos e personalidades políticas e deixando pouca margem de manobra para os habituais internavientes políticios, divulgados nos meios de comunicação tradicionais.