Desde o final do século XX até à actualidade (ínicio do século XXI) Portugal tem vivido debaixo de uma nuvem de "mediocridade". Esta nuvem, na minha opnião, tem origem na relutância pelo trabalho intelectual que instalou em Portugal na segunda metade do século do XX.
O trabalho intelectual é mal visto em Portugal a todos os níveis. Para além de ser mal remunerado é dramaticamente mal visto pela sociedade. A percepção de que existe uma recusa pelo trabalho intelectual provém de vários lados, desde a falta de empregabilidade de pessoas com licenciaturas, mestrados e doutoramentos, à falta de investimento privado em investigação, nas altas taxas abondono escolar antes do 12º ano e até mesmo nas frases que quotidianamente escutamos, "estudar pra quê?! tens é que ir trabalhar e ganhar dinheiro" ou "tenho um familiar que sabe umas coisas e desenrasca isso".
O trabalho intelectual e o acesso à informação tem sido crucial para a História das Civilizações e para História de Portugal. O trabalho intelectual, o estudo e a formação têm sido chaves para o desenvolvimento das sociedades. Na actualidade isso observa-se em diferentes países e em diferentes áreas, aqueles que investiram em trabalho intelectual, são considerados casos de sucesso, a informática nos EUA ou a produção vínicula em França são bons exemplos disso. No entanto, não é preciso ir tão longe, basta pensar que o sucesso dos Descobrimentos Portugueses, se deve em grande parte tanto ao conhecimento nautico produzido em Portugal como ao conhecimento importado dos países Árabes e Ásiáticos ou mais actualmente, que parte do sucesso de José Mourinho se deve a um forte investimento em trabalho intelectual durante a sua licenciatura que posteriormente foi exponenciado pela sua experiência profissional.
Em Portugal é preciso começar valorizar o estudo, a formação, a profissionalização e a produção de conhecimento. Portugal tem que deixar de viver na base "desenrascanço" e seguir os países mais desenvolvidos vivendo com base no "profissionalismo" não apenas "experimental" mas de "formação".
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Ciclistas nas Cidades
Um tema em discussão num programa do Rádio Clube Português que me parece bastante interessante. Somos dos países da Europa em que menos se anda de bicicicleta na vida quotidiana. Acredito que existam vários factores que contribuam para esta realidade.
A geografia parece-me o mais importante de todos, não fosse a Holanda o país com maior número de ciclistas da Europa e um dos mais planos. Em algumas cidades (ou zonas de cidades) portuguesas é irrealista pensar que a bicicleta é um meio de transporte viável. As zonas velhas de cidades como Lisboa, Coimbra ou Portalegre não convidam a tal hábito. No entanto, algumas cidades portuguesas (de qual Aveiro não é exemplo), não tiram proveito da sua geografia e deixam-se entupir de automóveis desnecessáriamente.
Outro factor é a mentalidade. Ao contrário do que acontece em muitos outros países, mesmo do Sul da Europa, onde a bicicleta é vista como um meio de transporte, em Portugal é maioritariamente encarada apenas como um meio de lazer ou desportivo. Parece-me que é esta mentalidade que gera opniões um pouco utópicas de querer andar de bicicleta em algumas zonas urbanas, sem que exista uma geografia que o permita.
Um terceiro factor é o problema dos centros urbanos e sub-urbanos. Nos países em que a bicicleta é vista como um meio transporte quotidiano, as distâncias percorridas entre o trabalho, a casa e os espaços comerciais são relativamente curtas. Isto acontece principalmente em locais onde as pessoas habitam perto do seu local de trabalho. Em Portugal, e em particular em Lisboa, é já famosa a saída de população do centro para os arredores da cidade. Assim, as distâncias a percorrer são longas e torna-se pouco cómodo a utilização de tal meio de transporte em zonas urbanas.
Em último, a falta de infraestruturas para o efeito. Em locais onde a geografia convida a tal hábito, faltam vias somente destinadas a bicicletas, evitando assim, qualquer acidente com viaturas motorizadas. Um dos exemplos que me parece gritante foi a pista criada para ligar a rotunda Centro-Sul ao Centro Comercial Almada Fórum, que apesar de ter sido uma boa ideia, parece-me bastante incompleta. Esta pista poderia ligar também a estação do comboio do Pragal, as duas faculdades existentes na zona e chegar à zona balnear da Costa da Caparica.
Em muitos milhões de euros que se gastam em Portugal em alcatroar auto-estradas será assim
tão irreal gastar um pouco mais, para criar cerca de uma dúzia de kms para uma ciclopista?!
A geografia parece-me o mais importante de todos, não fosse a Holanda o país com maior número de ciclistas da Europa e um dos mais planos. Em algumas cidades (ou zonas de cidades) portuguesas é irrealista pensar que a bicicleta é um meio de transporte viável. As zonas velhas de cidades como Lisboa, Coimbra ou Portalegre não convidam a tal hábito. No entanto, algumas cidades portuguesas (de qual Aveiro não é exemplo), não tiram proveito da sua geografia e deixam-se entupir de automóveis desnecessáriamente.
Outro factor é a mentalidade. Ao contrário do que acontece em muitos outros países, mesmo do Sul da Europa, onde a bicicleta é vista como um meio de transporte, em Portugal é maioritariamente encarada apenas como um meio de lazer ou desportivo. Parece-me que é esta mentalidade que gera opniões um pouco utópicas de querer andar de bicicleta em algumas zonas urbanas, sem que exista uma geografia que o permita.
Um terceiro factor é o problema dos centros urbanos e sub-urbanos. Nos países em que a bicicleta é vista como um meio transporte quotidiano, as distâncias percorridas entre o trabalho, a casa e os espaços comerciais são relativamente curtas. Isto acontece principalmente em locais onde as pessoas habitam perto do seu local de trabalho. Em Portugal, e em particular em Lisboa, é já famosa a saída de população do centro para os arredores da cidade. Assim, as distâncias a percorrer são longas e torna-se pouco cómodo a utilização de tal meio de transporte em zonas urbanas.
Em último, a falta de infraestruturas para o efeito. Em locais onde a geografia convida a tal hábito, faltam vias somente destinadas a bicicletas, evitando assim, qualquer acidente com viaturas motorizadas. Um dos exemplos que me parece gritante foi a pista criada para ligar a rotunda Centro-Sul ao Centro Comercial Almada Fórum, que apesar de ter sido uma boa ideia, parece-me bastante incompleta. Esta pista poderia ligar também a estação do comboio do Pragal, as duas faculdades existentes na zona e chegar à zona balnear da Costa da Caparica.
Em muitos milhões de euros que se gastam em Portugal em alcatroar auto-estradas será assim
tão irreal gastar um pouco mais, para criar cerca de uma dúzia de kms para uma ciclopista?!
Empréstimos.
É com prazer que leio os habituais comentários que o prof. António Câmara, escreve no Expresso Economia. Na edição deste sábado, dia 18 de Agosto, faz uma curta comparação de alguns aspectos da mentalidade Europeia e da mentalidade Norte-Americana. Apesar de no geral estar de acordo, especialmente quando refere que nos EUA se acredita mais jovens que na Europa (basta ver as grande empresas tecnológicas criadas por jovens com menos 30 anos no EUA...), existe um tópico que merece uma reflexão mais cuidada, os "empréstimos bancários". O professor menciona o facto de nos EUA haver um hábito de pedir empréstimos para o inicio da actividade empresarial que não existe na Europa. No entanto, se limitarmos esta comparação a Portugal (em vez da UE) podemos perceber alguns razões desta diferença.
É verdade que existe um problema das entidades financiadoras em arriscar em jovens "pouco conhecidos", no entanto, também acredito que poucos jovens arriscam. Se é verdade que nos EUA os jovens pedem empréstimos para pagarem os seus estudos, é também verdade que os salários atribuidos no EUA são, em geral, superiores aos portugueses. Tenho dúvidas que nos EUA exista o hábito de pedir um empréstimo bancário para comprar uma televisão, um frigorifico, roupa ou até mesmo umas férias como se praticou, e ainda se pratica, em Portugal. Parece-me assim natural, que uma sociedade que anda completamente afogada em empréstimos bancários nas suas actividades quotidianas tenha alguma aversão ao crédito para situações mais ambiciosas como financiar os estudos ou até mesmo uma actividade empresarial. Acredito que a partir do momento em que os portugueses tenham, no seu quotidiano, um maior poder de compra, sem precisarem de empréstimos para coisas que hoje são tão banais como comprar electrodomésticos, que também começaram a pedir empréstimos para as suas próprias actividades empresariais. Esta é principal razão porque muitos jovens Europeus, e em particular Portugueses, partem para os EUA e de lá não saem.
É verdade que existe um problema das entidades financiadoras em arriscar em jovens "pouco conhecidos", no entanto, também acredito que poucos jovens arriscam. Se é verdade que nos EUA os jovens pedem empréstimos para pagarem os seus estudos, é também verdade que os salários atribuidos no EUA são, em geral, superiores aos portugueses. Tenho dúvidas que nos EUA exista o hábito de pedir um empréstimo bancário para comprar uma televisão, um frigorifico, roupa ou até mesmo umas férias como se praticou, e ainda se pratica, em Portugal. Parece-me assim natural, que uma sociedade que anda completamente afogada em empréstimos bancários nas suas actividades quotidianas tenha alguma aversão ao crédito para situações mais ambiciosas como financiar os estudos ou até mesmo uma actividade empresarial. Acredito que a partir do momento em que os portugueses tenham, no seu quotidiano, um maior poder de compra, sem precisarem de empréstimos para coisas que hoje são tão banais como comprar electrodomésticos, que também começaram a pedir empréstimos para as suas próprias actividades empresariais. Esta é principal razão porque muitos jovens Europeus, e em particular Portugueses, partem para os EUA e de lá não saem.
domingo, 12 de agosto de 2007
Radares em Lisboa.
Recentemente entraram em funcionamento os radares para multar condutores em excesso de velocidade na cidade de Lisboa. Concordo em parte com esta medida mas a sua aplicação tem demasiadas incorrecções.
Apesar de que por lei o limite de velocidade ser 50km/h dentro das localidades, a aplicação deste limite em algumas vias da capital parece-me excessivo, por exemplo na Av. Almirante Gago Coutinho ou saída da maioria túneis da cidade. Colocando um limite máximo de 80km/h em conjunto com alguns semáforos seria perfeitamente razoável para um controlo do excesso de velocidade, mantendo uma velocidade mais "realista" e não causando tanto tráfego.
Outra incorrecção é a localização dos radares. A colocação de radares em algumas vias onde apenas circulam automóveis parece-me importante mas não "indispensável". Mais importante seria a colocação de radares em vias como a Av. da Liberdade onde o excesso de velocidade é constante, aumentando o perigo e a poluição e reduzindo o acesso pedonal livre à Avenida. Nestes locais, sim, faria sentido ter limites de 50km/h.
Uma grande ideia mas mal aplicada pela Câmara Municipal de Lisboa.
Apesar de que por lei o limite de velocidade ser 50km/h dentro das localidades, a aplicação deste limite em algumas vias da capital parece-me excessivo, por exemplo na Av. Almirante Gago Coutinho ou saída da maioria túneis da cidade. Colocando um limite máximo de 80km/h em conjunto com alguns semáforos seria perfeitamente razoável para um controlo do excesso de velocidade, mantendo uma velocidade mais "realista" e não causando tanto tráfego.
Outra incorrecção é a localização dos radares. A colocação de radares em algumas vias onde apenas circulam automóveis parece-me importante mas não "indispensável". Mais importante seria a colocação de radares em vias como a Av. da Liberdade onde o excesso de velocidade é constante, aumentando o perigo e a poluição e reduzindo o acesso pedonal livre à Avenida. Nestes locais, sim, faria sentido ter limites de 50km/h.
Uma grande ideia mas mal aplicada pela Câmara Municipal de Lisboa.
sábado, 4 de agosto de 2007
Sobre a entrevista de Paulo Macedo, in Expresso.
Ao ler a entevista, publicada hoje no Expresso, ao Sr. Paulo Macedo, fiquei com a sensação que ele não se encontra totalmente correcto quando diz, a respeito de ter um ordenado 4x superior ao do Primeiro-Ministro, que problema de fundo é o ordenado do PM ser demasiado baixo. De certa maneira até concordo com ele, mas vou mais longe, o problema é o ordenado mínimo português ser demasiado baixo. Como quer ele que o ordenado do PM seja mais elevado se o ordenado mínimo português é demasiado baixo? E as consequências sociais e políticas que aumentar apenas o salário do PM sem aumentar o ordenado minimo implicaria?
Não acho que seja preciso coragem para subir o ordenado do PM, mas sim coragem para subir o ordenado mínimo. (Não estou a falar de última meta um pouco ridicula, de daqui a alguns anos atingir os 500 euros, mas sim no mesmo espaço tempo atingir os 700/800 euros)
Este aumento, não só iria melhorar a qualidade de vida e a economia portuguesas mas também iria aumentar o ordenadodo do PM.
Para isto, sim, era preciso coragem!
Não acho que seja preciso coragem para subir o ordenado do PM, mas sim coragem para subir o ordenado mínimo. (Não estou a falar de última meta um pouco ridicula, de daqui a alguns anos atingir os 500 euros, mas sim no mesmo espaço tempo atingir os 700/800 euros)
Este aumento, não só iria melhorar a qualidade de vida e a economia portuguesas mas também iria aumentar o ordenadodo do PM.
Para isto, sim, era preciso coragem!
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Portugal em plena democracia?
Hoje, dia da tomada de posse de António Costa na presidência da Câmara Municipal de Lisboa, soube-se de um acordo político entre o novo presidente e José Sá Fernandes. Será que com estas eleições intercalares e com os estes novos vereadores da Câmara Municipal de Lisboa, Portugal começa finalmente a aprender como se deve viver e conviver em democracia?
O discurso que se tem ouvido no últimos anos e nas mais recentes eleições legislativas, de que "é preciso uma maioria absoluta para governar" soa a algumas réstias de uma mentalidade autoritarista do antigo regime. Partindo deste pensamento muitos se mostraram cépticos quando nas últimas eleições alemãs a nova Chanceler Angela Merkel tinha ganho com uma maioria relativa. Hoje todos aplaudem o seu trabalho ao nível nacional e internacional.
As negociações e os acordos políticos são pilares fundamentais da democracia e do jogo político.
Será que com esta mudança na Câmara Municipal de Lisboa e passados 30 anos do 25 de Abril, Portugal começa viver e a conviver num ambiente verdadeiramente democrático?
O discurso que se tem ouvido no últimos anos e nas mais recentes eleições legislativas, de que "é preciso uma maioria absoluta para governar" soa a algumas réstias de uma mentalidade autoritarista do antigo regime. Partindo deste pensamento muitos se mostraram cépticos quando nas últimas eleições alemãs a nova Chanceler Angela Merkel tinha ganho com uma maioria relativa. Hoje todos aplaudem o seu trabalho ao nível nacional e internacional.
As negociações e os acordos políticos são pilares fundamentais da democracia e do jogo político.
Será que com esta mudança na Câmara Municipal de Lisboa e passados 30 anos do 25 de Abril, Portugal começa viver e a conviver num ambiente verdadeiramente democrático?
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