quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Investigadores portugueses ganham menos 7.000 euros por ano do que parceiros da UE

"Os investigadores em Portugal recebem em média 29.000 euros por ano, cerca de 7.000 euros abaixo da média comunitária, revela um estudo sobre os salários na área da investigação divulgado hoje pela Comissão Europeia.


O estudo revela ainda que Portugal é dos países europeus onde se verifica um maior fosso entre os salários auferidos por homens e mulheres na área investigação, sendo um dos três Estados-membros da UE, juntamente com a República Checa e a Estónia, onde essa diferença é superior a 35 por cento.

O estudo encomendado pelo executivo comunitário demonstra que, em termos gerais, o salário médio dos investigadores da UE é substancialmente inferior àquele auferido pelos investigadores nos Estados Unidos (menos 23.000 euros por ano) e fica igualmente aquém dos ordenados praticados na Austrália, Índia e Japão."

in http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=24357&op=all

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Radares e Atropelamentos

Os recentes atropelamentos, em Lisboa, causados por veiculos a mais de 100km/h, demonstram que a politica de radares imposta pela Câmara Municipal de Lisboa, não foi das melhores. A Câmara preocupa-se com veiculos que ultrapassam 50 km/h em locais com poucos ou mesmo nenhuns peões, no entanto, deixou de fora de controlo estradas com alto atrevessamento de peões. Locais esses que deveriam ser prioritários para a colocação de radares... Mais uma vez, prova-se que esta medida de pouco serve para a cidade senão para encher os cofres da câmara.
É pena que as pessoas souberam aparecer na Televisão para defender tal medida tão mal pensada, hoje não apareceram a dar uma explicação aos familiares das vitimas dos recentes acidentes.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Bolonha e Pré-Bolonha

É normal ouvir a critica de que com Bolonha e a redução das licenciaturas de 5 para 3 anos os alunos vão aprender menos e ficar mais ignorantes. Se os países Nórdicos e os Anglo-saxónicos foram dos pioneiros em aplicar um sistema deste género, serão todos eles ignorantes? Os últimos indicadores de sucesso escolar, de desenvolvimento económico e social apontam no sentido contrário. Enquanto, estes países têm tido niveís de desenvolvimento elevados, os de Portugal ficam sempre no fim da lista Europeia. É também curiso observar que o último Nobel atribuido a um português nas áreas da Física, da Quimica, da Medicina ou da Economia foi atribuido há 50 anos.

Assim, com mais humildade e imparcialidade teremos que admitir que o sistema universitário português pré-Bolonha estava gravemente doente e sem resultados positivos. Porque não tentar e aceitar um sistema que tem tido sucesso noutros países Europeus?

domingo, 21 de outubro de 2007

Flexisegurança.

A última manifestação da contra a Flexisegurança fez-me investigar melhor sobre o assunto... Encontrei estes dois sites, o primeiro um blog de um português na Dinamarca e o segundo um artigo escrito pelo primeiro-ministro dinamarquês que colocou na prática o sistema:

http://flexiseguranca.blog.pt/

http://www.aarp.org/research/international/perspectives/apr_07_flexicurity.html

Ao ler estes dois cheguei as seguintes conclusões:

1. A Flexisegurança não o "bicho-papão" que os sindicatos querem passar. (Parece-me que estão desactualizados ao mundo modermo)

2. A Flexisegurança em Portugual não pode ser só flexibilidade, pois isso seria aplicar um sistema liberal e não a Flexisegurança. Como também não pode ser só segurança porque isso seria aplicar um sistema de subsidio-dependência.

3. A Flexisegurança em Portugal deve ser alterado na medida que em pode ser melhorado em relação à sua origem dinamarquesa, ou seja, questionar o que falhou no modelo Dinarmaquês e aperfeiçoar

4. Para a implementação da Flexisegurança em Portugal é preciso acabar com as recentes "taxas sociais", propinas nas universidades, taxas moderadoras nos hospitais, etc... É aqui que está (parcialmente) a "segurança", mesmo desempregado, um cidadão continua a ter acesso livre à educação e à saúde.

5. A Flexisegurança parece-me um bom caminho para o mercado laboral do séc. XXI, no entanto, pode não ser o único e talvez a solução esteja num sistema ainda mais aperfeiçoado.

sábado, 13 de outubro de 2007

Sobreiros vs Turismo

Foi com frustação que li a crónica do Professor Manuel Leite Monteiro, no Expresso Economia, de hoje, que favorece a construção turística em pról da destruição de montados.
Ao defender que o projecto de Benavente, iria "re-plantar" os sobreiros destruidos para a construção de um empreendimento turístico o Professor esquece que são necessários entre 20 a 30 após a plantação de um sobreiro para poder fazer a primeira extracção de cortiça da árvore.
O Professor defende que o projecto teria impacto positivo no turismo da região, não digo que não, mas é este tipo de impulsos economicos que Portugal precisa? Penso que seria um impulso muito mais forte para economia do País, deixar os sobreiros onde estão, criar centros de investigação focados no sobreiro e na cortiça e potenciar ao máximo a produção e as áreas de aplicabilidade da cortiça?
Parece-me que o Professor Manuel Leite Monteiro também se esqueceu que não basta haverem "hoteis" para existir turismo, é também necessário que existam "atracções turisticas". Se destruímos a paisagem portuguesa a construir hoteis e "selvas de pedras" começamos por reduzir o número de atracções de turisticas...

Fico frustado por ver uma visão de tão fraca estratégia para a economia portuguesa, que prefere que exista mais "um hotel comum" entre muitos (e melhores) no mundo, do que se aposte forte num produto "quase exclusivamente" português e em que Portugal tem a maior cota de exportação mundial.

Re-formar?!

Hoje, a capa do Expresso Economia noticia a "reciclagem" de professores desempregados pela Critical Software. A noticia à partida parece positiva, no entanto, depois de ler mais um pouco sobre ela apercebo-me do erro atroz que vai ser cometido. Em primeiro lugar pela o conceito de "reciclagem". Será que um licendiado deve "reciclado" noutra área relativamente aquela se formou? A mim esta solução parece-me mais um "desperdicio de recursos" que outra coisa, ora vejmos, vão-se gastar recursos a re-formar pessoas que já têm uma formação especifica numa determinada área, em bastaria alguma criatividade para empregar essas pessoas nas empresas criando a partir delas uma mais-valia de conhecimento na própria empresa.
Porque não ter pessoas formadas em psicologia nas empresas para ajudar a "psicologia da empresa e dos seus trabalhadores"? Porque não ter pessoas formadas linguas para dar formação "linguista à empresa e aos seus trabalhadores" ou até mesmo para edição de documentos em linguas estrangeiras? Isto para não falar de que muitos produtos e serviços deveriar implicar um trabalho verdadeiramente interdisciplinar....
Para agravar este erro, parece-me que o "desenrascanço" português vai fazer das suas... Será que estes pessoas depois ter empregos nestas "novas áreas", com um custo inferior, tirando lugar aos "verdadeiros especialistas"? Vamos ter cada vez mais produtos e serviços feitos na base no "baixo-custo" e da "má-qualidade" em vez da "especialização" e da "qualidade"?

Parece-me um passo atrás no empreendorismo português....

domingo, 30 de setembro de 2007

O (mau) perfil do político português.

Acabei de ler a crónica da Doutora Maria Filomena Mónica, no jornal "O Público", sobre o secretário de estado da Educação, Valter Lemos. Para além de ser, uma forte crítica ao curriculum e às ideias do secretrário de Estado, traça o perfil do "mau" político português e dos principais responsáveis pelo fraco desenvolvimento de Portugal nos últimos 10/20 anos.
Este perfil é marcado pelas "amizades portuguesas", por uma promoção a cargos em instituições públicas com pouca relação pelas ideias, pelas estratégias e pelo mérito e por muito "xico-espertismo".
Algumas das características que gostaria de realçar é o facto de um mestre ter um cargo de chefia num politénico (enquanto muitos doutores quando concorrem a politécnicos ficam de fora) e o facto de quase ter perdido o mandato de vareador por faltas injustificadas, devido à acumulação de funções num politécnico.
Acredito que existam políticos de carisma e de elevada competência, no entanto, sinto que as últimas duas décadas, Portugal tem estado minado com políticos destes, vazios de ideias e de estratégias (muitas vezes devido a uma formação insuficiente ou inedequada), com recalcos pessoais de um período pré e/ou pós 25 de Abril e cujo seu único objectivo enquanto representantes de cargos políticos é o enriquecimento pessoal e o protagonismo.
É de notar também é a acumulação de cargos, que começa a ser habitua" numa determinada geração, possivelmente devido ao elitismo do Estado de Novo e à necessidade de protagonismo, riqueza e de poder (mesmo que não o usem). No fundo, "matar uma sede" imposta durante 40 anos pelo regime Salazarista.
Este acumulação é geradora de desemprego (cargos que deveriam ser atribuidos a X pessoas ficam atribuidos a apenas 1) e de incompetência (já que 1 pessoa não é capaz de gerir tantas funções).

Este políticos não fazem falta a Portugal e pelo contrário, prejudicam gravemente o desenvolvimento do país e deveriam ser retirados do sistema quanto antes. Infelizmente, parece que muitos deles vão permanecer até ao fim da sua vida activa e sairão do sistema com a habitual reforma que em muitos dos casos será verdadeiramente "milionária".

Como diria José Afonso:

"Eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada...."

Assim, prevejo que daqui a 10/20 anos quando muitos destes senhores/as se reformarem exista uma verdadeira mudança no país. Portugal terá, nessa altura um sistema mais democrático, onde o centralismo do poder estará perto da sua inexestência, onde a atribuição de cargos estará mais próxima das reais qualificações das pessoas, mas numa altura em que se estará a enfrentar um dos maiores desafios da Europa, e especialmente em Portugal, no principio do séc. XXI, uma segurança social com custos elevadissimos e uma taxa de natalidade verdadeiramente baixa. Talvez daí a outros 10/20 anos a situação mude....

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Eleições Universitárias e Cargos de Direcção

Com algumas reformas nas universidades, vêem algumas mexidas que acho importantes, especialmente nos cargos de chefia universitários.
Acho que é positivo que os estudantes e funcionários deixem de poder votar para a eleição do reitor. O tipo de eleição que existia era tudo menos democrático. Alguns poderam ficar espantados com esta minha afirmação mas vejamos.. A democracia é a governação do "povo" para o "povo". A força da democracia nasce de que "qualquer cidadão" pode ser eleito pelos outros cidadões. Ora bem, um "estudante" ou um "funcionário" pela especificidade do cargo não são elegiveis a reitores, assim sendo, não consigo perceber porque hão-de interferir no processo. Seria como os Espanhoís, pudessem votar nas eleições portuguesas (e vice-versa) porque simplesmente os dois países partilham a mesma fronteira.
Outra aspecto importante que caiu, apenas o investigadores e professores no topo de carreira poderem exercer tal cargo. Isto não só reduz a quantidade de candidatos mas a possibilidade de ter um "bom" reitor. Quem garante algum dos poucos candidatos em topo de carreira têm perfil para serem reitores? (Para ver o que considero um bom perfil, ver o post que coloquei sobre a história da Uni. de Stanford.)
Por outro lado, ao colocar-se pessoas no "topo da sua carreira" como reitores é tornar o lugar como figura puramente "ilustrativa", pois passa a ser visto como uma pré-reforma por pessoas com uma certa idadea e não um lugar de actividade e estratégia que faz falta a muito boas universidades.

Assim, defendo que qualquer cargo directivo, reitor, director, presidentes departamentos e centros de investigação diga apenas respeitos aos "doutores" mas que seja aberto a "qualquer doutor" que esteja a trabalhar naquela instituição.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

A sociedade e a mobilidade

Hoje a mobilidade da sociedade é um chavão apresentado no nosso quotidiano. Hoje é dito aos jovens que têm que se habituar a "trabalhar em qualquer ponto do globo em qualquer momento".

Um jovem adulto que se "vê obrigado pela sociedade" a não ter raízes parece uma atitude demasiado suicida para própria sociedade... Ora vejamos...

Relações pessoais/amorosas destruídas: como poderá um jovem adulto comprometer-se com alguém se não sabe onde estará nos próximos meses?

Baixa natalidade: como poderá um jovem adulto constituir família se não sabe onde estará nos próximos meses?

Crise no sector imobiliário: que casa comprará um jovem adulto se não sabe onde estará nos próximos meses?

Crise no sector bancário: que empréstimo bancário irá pedir um jovem adulto se não sabe onde estará nos próximos meses?

Instabilidade na segurança social: quem pagará a reforma de um jovem adulto que trabalhou em diferentes países?


A ideia de mobilidade fácil é importante e sedutora, no entanto, deve ser dada a opção de "escolha" ao indíviduo para ser "movido" e não uma imposição da sociedade.

domingo, 16 de setembro de 2007

Incentivos à Natalidade.

No outro dia ouvi uma notícia na rádio que achei interessante: aumento dos subsídios para apoiar a natalidade.
Esta medida é verdadeiramente paradoxal. Os salários em Portugal são baixos criando dificuldades aos casais mais jovens que querem ter filhos, e quando os têm, a terem mais do que um. O horário semanal de trabalho é longo, o que torna dificil o quotidiano e a educação dos filhos. O ensino em Portugal tem custos elevados. O custo da saúde em Portugal também tem aumentado. Os empregadores dificultam a vida às mulheres grávidas, chegando muitas vezes a despedi-las.
Perante estes desincentivos todos os Estado Português decide aumentar os subsídios numa tentativa de aumentar a natalidade. Não será isto uma tentative de matar a fome com umas migalhas? Não deveria o Estado tentar dar melhores apoios educativos e de saúde às crianças e aos jovens? Incentivar à formação especializada de maneira a que uma entidade empregadora se recuse a colocar uma mulher grávida no desemprego devido à sua mais valia na empresa? E a justiça funciona nestes casos?
Algmas destas questões não envolvem directamente o Estado e estão na responsabilidade dos empregadores, no entanto, em vez de "atribuir subsídios" acho que seria mais útil o Estado Português legislar e criar/melhorar infrastruturas para apoiar e incentivar a natalidade.

sábado, 15 de setembro de 2007

Universidades Privadas: EUA vs Portugal

Esta comparação para alguns não fará sentido, mas devido à forte tendência para privatizar o ensino superior português acho que vale a pena dar uma olhada na questão...

Recentemente descobri que na génese de duas famosas universidades privadas norte-americanas estão, respectivamente, dois milionários... Dois milionários que fundaram parcialmente ou totalmente as actuais universidades.

Este aspecto demonstra bem, que apesar do famoso "capitalismo americano", os americanos (pelo menos no passado) desenvolveram um fortissimo sentido cívico. É este "sentido cívico" que falta aos privados portugueses... Onde estão os milionários portugueses na génese de instituições educativas? Não estão... Alguns poderam falar na recente fundação Champalimaud, mas apesar de ter sido um gesto nobre e de grande importância não deixou de ser feita apenas em testamento... As universidades norte-americanas acima referidas nasceram ainda com a presença viva dos seus fundadores.

Outro aspecto interessante são as famosas doações feitas às universidades norte-americanas, exemplo do sentído civico, são forte fonte de receita das instiuições. Quais foram as doações feitas às universidades privadas portuguesas? Alguma que mereça um reconhecimento nacional? (A colecção de 200 obras do famoso escultor August Rodin, foram doadas por um milionário à Universidade de Stanford...)

Nesta questão e quando se fala de ensino superior privado em Portugal, resta-me perguntar... Onde anda o Eng. Belmiro de Azevedo? Onde anda José Berardo? Onde anda Jardim Gonçalves?
Por estas restas razões e mais algumas torno-me céptico quanto à privatização do ensino superior português....

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Excertos da História da Universidade de Stanford

-Leland Stanford escreveu:

"I attach great importance to general literature for the enlargement of the mind and for giving business capacity. I think I have noticed that technically educated boys do not make the most successful businessmen. The imagination needs to be cultivated and developed to assure success in life. A man will never construct anything he cannot conceive."

-Sobre o primeiro "Reitor" da Universidade:

"Go to the University of Indiana; there you will find the president, an old student of mine, David Starr Jordan, one of the leading scientific men of the country, possessed of a most charming power of literary expression, with a remarkable ability in organization and blessed with good sound sense. Call him."


Textos Retirados de:

http://www.stanford.edu/home/stanford/history/begin.html

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Radares em Lisboa: parte II

Recentemente foram apanhados condutores a fazerem corridas na Ponte Vasco da Gama, circulando a velocidades superiores a 200km/h. Será que ainda assim a Câmara Municipal de Lisboa acha problemática a circulação de automóveis a velocidades entre 50km/h e 80km/h dentro da cidade, em vias sem circulação de peões?

domingo, 2 de setembro de 2007

Os politicos portugueses no Youtube

As recentes utilizações de videos no YouTube por parte de Marcelo Rebelo de Sousa ou Paulo Portas marcam uma certa tendência para o uso das novas tecnologias para propaganda e debate politico.
Creio que esta tendência tem dois factores essenciais: a utilização de meios próprios para divulgação de informação sem intervenção de terceiros (jornalistas), que lhes possam alterar o conteúdo da informação e a a utilização de meio moderno, comum entre os jovens, com o objetivo de os seduzir politicamente. Enquanto o primeiro objectivo terá resultados positivos e imediatos, o segundo merece algum cepticismo. A pergunta que se coloca é simples, porque há-de um jovem ver um video no YouTube de um politico que lhe entra todos os dias pelos noticiários na Televisão?
Por outro lado, também se pode colocar outra questão, será que esta mudança de meio vai desassociar os actuais políticos das maneiras de agir e de pensar que tem levado os jovens ao desinteresse pelo mundo político e partidário?
A utilização do YouTube para fins politicos é extramente convidativo para "politicos anóminos". Políticos pouco conhecidos, que têm dificuldade de aceder aos meios de comunicação social mais tradicionais, onde a informação é mais tratada, seleccionada e consequentemente está mais viciada.
Os videos do YouTube são ideais para a divulgação de novos pensamentos e personalidades políticas e deixando pouca margem de manobra para os habituais internavientes políticios, divulgados nos meios de comunicação tradicionais.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Origens da Mediocridade Portuguesa dos séculos XX/XXI

Desde o final do século XX até à actualidade (ínicio do século XXI) Portugal tem vivido debaixo de uma nuvem de "mediocridade". Esta nuvem, na minha opnião, tem origem na relutância pelo trabalho intelectual que instalou em Portugal na segunda metade do século do XX.
O trabalho intelectual é mal visto em Portugal a todos os níveis. Para além de ser mal remunerado é dramaticamente mal visto pela sociedade. A percepção de que existe uma recusa pelo trabalho intelectual provém de vários lados, desde a falta de empregabilidade de pessoas com licenciaturas, mestrados e doutoramentos, à falta de investimento privado em investigação, nas altas taxas abondono escolar antes do 12º ano e até mesmo nas frases que quotidianamente escutamos, "estudar pra quê?! tens é que ir trabalhar e ganhar dinheiro" ou "tenho um familiar que sabe umas coisas e desenrasca isso".
O trabalho intelectual e o acesso à informação tem sido crucial para a História das Civilizações e para História de Portugal. O trabalho intelectual, o estudo e a formação têm sido chaves para o desenvolvimento das sociedades. Na actualidade isso observa-se em diferentes países e em diferentes áreas, aqueles que investiram em trabalho intelectual, são considerados casos de sucesso, a informática nos EUA ou a produção vínicula em França são bons exemplos disso. No entanto, não é preciso ir tão longe, basta pensar que o sucesso dos Descobrimentos Portugueses, se deve em grande parte tanto ao conhecimento nautico produzido em Portugal como ao conhecimento importado dos países Árabes e Ásiáticos ou mais actualmente, que parte do sucesso de José Mourinho se deve a um forte investimento em trabalho intelectual durante a sua licenciatura que posteriormente foi exponenciado pela sua experiência profissional.
Em Portugal é preciso começar valorizar o estudo, a formação, a profissionalização e a produção de conhecimento. Portugal tem que deixar de viver na base "desenrascanço" e seguir os países mais desenvolvidos vivendo com base no "profissionalismo" não apenas "experimental" mas de "formação".

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Lisboa e Porto perderam tanta população como os concelhos do interior rural

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1302724&idCanal=undefined

Ciclistas nas Cidades

Um tema em discussão num programa do Rádio Clube Português que me parece bastante interessante. Somos dos países da Europa em que menos se anda de bicicicleta na vida quotidiana. Acredito que existam vários factores que contribuam para esta realidade.
A geografia parece-me o mais importante de todos, não fosse a Holanda o país com maior número de ciclistas da Europa e um dos mais planos. Em algumas cidades (ou zonas de cidades) portuguesas é irrealista pensar que a bicicleta é um meio de transporte viável. As zonas velhas de cidades como Lisboa, Coimbra ou Portalegre não convidam a tal hábito. No entanto, algumas cidades portuguesas (de qual Aveiro não é exemplo), não tiram proveito da sua geografia e deixam-se entupir de automóveis desnecessáriamente.
Outro factor é a mentalidade. Ao contrário do que acontece em muitos outros países, mesmo do Sul da Europa, onde a bicicleta é vista como um meio de transporte, em Portugal é maioritariamente encarada apenas como um meio de lazer ou desportivo. Parece-me que é esta mentalidade que gera opniões um pouco utópicas de querer andar de bicicleta em algumas zonas urbanas, sem que exista uma geografia que o permita.
Um terceiro factor é o problema dos centros urbanos e sub-urbanos. Nos países em que a bicicleta é vista como um meio transporte quotidiano, as distâncias percorridas entre o trabalho, a casa e os espaços comerciais são relativamente curtas. Isto acontece principalmente em locais onde as pessoas habitam perto do seu local de trabalho. Em Portugal, e em particular em Lisboa, é já famosa a saída de população do centro para os arredores da cidade. Assim, as distâncias a percorrer são longas e torna-se pouco cómodo a utilização de tal meio de transporte em zonas urbanas.
Em último, a falta de infraestruturas para o efeito. Em locais onde a geografia convida a tal hábito, faltam vias somente destinadas a bicicletas, evitando assim, qualquer acidente com viaturas motorizadas. Um dos exemplos que me parece gritante foi a pista criada para ligar a rotunda Centro-Sul ao Centro Comercial Almada Fórum, que apesar de ter sido uma boa ideia, parece-me bastante incompleta. Esta pista poderia ligar também a estação do comboio do Pragal, as duas faculdades existentes na zona e chegar à zona balnear da Costa da Caparica.
Em muitos milhões de euros que se gastam em Portugal em alcatroar auto-estradas será assim
tão irreal gastar um pouco mais, para criar cerca de uma dúzia de kms para uma ciclopista?!

Empréstimos.

É com prazer que leio os habituais comentários que o prof. António Câmara, escreve no Expresso Economia. Na edição deste sábado, dia 18 de Agosto, faz uma curta comparação de alguns aspectos da mentalidade Europeia e da mentalidade Norte-Americana. Apesar de no geral estar de acordo, especialmente quando refere que nos EUA se acredita mais jovens que na Europa (basta ver as grande empresas tecnológicas criadas por jovens com menos 30 anos no EUA...), existe um tópico que merece uma reflexão mais cuidada, os "empréstimos bancários". O professor menciona o facto de nos EUA haver um hábito de pedir empréstimos para o inicio da actividade empresarial que não existe na Europa. No entanto, se limitarmos esta comparação a Portugal (em vez da UE) podemos perceber alguns razões desta diferença.
É verdade que existe um problema das entidades financiadoras em arriscar em jovens "pouco conhecidos", no entanto, também acredito que poucos jovens arriscam. Se é verdade que nos EUA os jovens pedem empréstimos para pagarem os seus estudos, é também verdade que os salários atribuidos no EUA são, em geral, superiores aos portugueses. Tenho dúvidas que nos EUA exista o hábito de pedir um empréstimo bancário para comprar uma televisão, um frigorifico, roupa ou até mesmo umas férias como se praticou, e ainda se pratica, em Portugal. Parece-me assim natural, que uma sociedade que anda completamente afogada em empréstimos bancários nas suas actividades quotidianas tenha alguma aversão ao crédito para situações mais ambiciosas como financiar os estudos ou até mesmo uma actividade empresarial. Acredito que a partir do momento em que os portugueses tenham, no seu quotidiano, um maior poder de compra, sem precisarem de empréstimos para coisas que hoje são tão banais como comprar electrodomésticos, que também começaram a pedir empréstimos para as suas próprias actividades empresariais. Esta é principal razão porque muitos jovens Europeus, e em particular Portugueses, partem para os EUA e de lá não saem.

domingo, 12 de agosto de 2007

Radares em Lisboa.

Recentemente entraram em funcionamento os radares para multar condutores em excesso de velocidade na cidade de Lisboa. Concordo em parte com esta medida mas a sua aplicação tem demasiadas incorrecções.
Apesar de que por lei o limite de velocidade ser 50km/h dentro das localidades, a aplicação deste limite em algumas vias da capital parece-me excessivo, por exemplo na Av. Almirante Gago Coutinho ou saída da maioria túneis da cidade. Colocando um limite máximo de 80km/h em conjunto com alguns semáforos seria perfeitamente razoável para um controlo do excesso de velocidade, mantendo uma velocidade mais "realista" e não causando tanto tráfego.
Outra incorrecção é a localização dos radares. A colocação de radares em algumas vias onde apenas circulam automóveis parece-me importante mas não "indispensável". Mais importante seria a colocação de radares em vias como a Av. da Liberdade onde o excesso de velocidade é constante, aumentando o perigo e a poluição e reduzindo o acesso pedonal livre à Avenida. Nestes locais, sim, faria sentido ter limites de 50km/h.
Uma grande ideia mas mal aplicada pela Câmara Municipal de Lisboa.

sábado, 4 de agosto de 2007

Sobre a entrevista de Paulo Macedo, in Expresso.

Ao ler a entevista, publicada hoje no Expresso, ao Sr. Paulo Macedo, fiquei com a sensação que ele não se encontra totalmente correcto quando diz, a respeito de ter um ordenado 4x superior ao do Primeiro-Ministro, que problema de fundo é o ordenado do PM ser demasiado baixo. De certa maneira até concordo com ele, mas vou mais longe, o problema é o ordenado mínimo português ser demasiado baixo. Como quer ele que o ordenado do PM seja mais elevado se o ordenado mínimo português é demasiado baixo? E as consequências sociais e políticas que aumentar apenas o salário do PM sem aumentar o ordenado minimo implicaria?
Não acho que seja preciso coragem para subir o ordenado do PM, mas sim coragem para subir o ordenado mínimo. (Não estou a falar de última meta um pouco ridicula, de daqui a alguns anos atingir os 500 euros, mas sim no mesmo espaço tempo atingir os 700/800 euros)
Este aumento, não só iria melhorar a qualidade de vida e a economia portuguesas mas também iria aumentar o ordenadodo do PM.
Para isto, sim, era preciso coragem!

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Portugal em plena democracia?

Hoje, dia da tomada de posse de António Costa na presidência da Câmara Municipal de Lisboa, soube-se de um acordo político entre o novo presidente e José Sá Fernandes. Será que com estas eleições intercalares e com os estes novos vereadores da Câmara Municipal de Lisboa, Portugal começa finalmente a aprender como se deve viver e conviver em democracia?
O discurso que se tem ouvido no últimos anos e nas mais recentes eleições legislativas, de que "é preciso uma maioria absoluta para governar" soa a algumas réstias de uma mentalidade autoritarista do antigo regime. Partindo deste pensamento muitos se mostraram cépticos quando nas últimas eleições alemãs a nova Chanceler Angela Merkel tinha ganho com uma maioria relativa. Hoje todos aplaudem o seu trabalho ao nível nacional e internacional.
As negociações e os acordos políticos são pilares fundamentais da democracia e do jogo político.
Será que com esta mudança na Câmara Municipal de Lisboa e passados 30 anos do 25 de Abril, Portugal começa viver e a conviver num ambiente verdadeiramente democrático?

terça-feira, 31 de julho de 2007

Um Estado com as prioridades trocadas?

Nos meses quentes em Portugal, regressam as notícias dos incêndios e da incapacidade de muitos bombeiros os combaterem. Nesta matéria o que mais causa estranheza é o "voluntariado" nesta actividade, não pelo facto de haverem pessoas que o façam (esses devem merecer todo o respeito e admiração) mas pelo facto de um Estado dar-se "ao luxo" de proteger o seu território através de "voluntariado".
Esta actividade, também conhecida como "os soldados da paz", tem o principal papel de proteger o território não de invações militares ou de ataques terroristas, mas sim "ataques de civis" e da própria natureza. É verdade que existe uma "Protecção Civil" mas a quem telefonamos quando temos uma inundação na nossa rua ou na nossa casa casa ou um incêndio nas redondezas? Aos bombeiros!
Parece-me que esta actividade é de tal importância para a socidade para que esteja fortemente dependente de um "voluntariado". Causa-me estranheza que ande o Estado preocupado a defender a sua posição em determinadas empresas, posição essa que acaba por ter uma consequência nula ou muito ténue na vida quotidiana de um qualquer cidadão, mas que não se preocupe em fortalecer esta actividade tão vital para a vida quotidiana dos cidadãos e para a própria protecção do território, tornando-a cada vez mais profissional, com cada vez melhor formação e com maior apoio económico.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Ensino Superior Púbico e Privado.

Os últimos incidentes com algumas universidades privadas, em Portugal, deixaram a descoberto alguns dos problemas de tornar o ensino superior privado.
Na lógica capitalista e de mercado, quando um negócio "falha" e deixa de ser rentável, "in extremis" entra num processo de falência. Assim parece estar a acontecer com algumas universidades privadas. Não posso deixar de questionar se isso é positivo não só para a sociedade mas todos os que lá estudaram e trabalharam. Como será visto um estudante que tenha obtido um qualquer grau académico numa universidade que "fechou"?
Alguns tentarão separar a parte económica das competências académicas, no entanto, qualquer "norte-americano com espírito capitalista" perguntará: "se era assim tão boa porque não conseguiu atrair capital e fechou as portas"? É exactamente assim que pensam as famosas universidades norte-americanas privadas: "ser melhor para continuar atrair capital".
É curioso, que muitos daqueles falam no "exemplo das universidades privadas americanas", falam num universo de aproximadamente dez num total de cerca de 6000 universidades públicas e privadas norte-americanas. É também curioso observar que este universo de aproximadamente dez universidades mundialmente famosas, cada vez mais se aproxima do espírito das escolas elitistas "normais", francesas e italianas, com algumas réstias do "sonho americano".
Numa altura em que muitos acreditam que o Estado "Social" está morto e se deve depenar de toda a maneira e feitio, acho que se devia olhar mais para os modelos sueco e finlândes, onde o ensino universitário é público(perto dos 100%), onde os estudantes não pagam propinas até ao mestrado (inclusivé) e são dos países do mundo com os melhores niveís de sucesso educativo.
Olhando em particular para o caso finlândes, repara-se que não é preciso os estudantes pagarem propinas elevadissimas para que exista um país com maior número de livros por habitante ou para que tenha uma das maioras empresas de produtos de telecomunicações.
Alguns poderão falar nos "últimos prémios Nobel, maioritariamente entregues a investigadores a trabalharem nas universidades norte-americanas". Acredito que se o Estado Português e as empresas portuguesas dessem os mesmos apoios económicos que os seus congéneres norte-americanos, aos investigadores em Portugal, dentro poucos anos muitos prémios Nobel seriam entregues a instituições portuguesas.
Nas universidades portuguesas deve existir um maior apoio financeiro (estatal e privado), uma maior flexibilidade e autonomia e uma maior atenção nos "resultados" do que nos "processos".
A educação superior é demasiado importante para o desenvolvimento e para a sustentabilidade de um país, para estar sujeita a uma lógica capitalista e de mercado apenas controlada pela lei da procura e da oferta.

O Café Lisboeta

Este blog pretende ser uma extensão digital da cultura dos cafés lisboetas (e de muitas outras cidades e vilas), locais criadores de reflexão, pensamento e discussão.