Os últimos incidentes com algumas universidades privadas, em Portugal, deixaram a descoberto alguns dos problemas de tornar o ensino superior privado.
Na lógica capitalista e de mercado, quando um negócio "falha" e deixa de ser rentável, "in extremis" entra num processo de falência. Assim parece estar a acontecer com algumas universidades privadas. Não posso deixar de questionar se isso é positivo não só para a sociedade mas todos os que lá estudaram e trabalharam. Como será visto um estudante que tenha obtido um qualquer grau académico numa universidade que "fechou"?
Alguns tentarão separar a parte económica das competências académicas, no entanto, qualquer "norte-americano com espírito capitalista" perguntará: "se era assim tão boa porque não conseguiu atrair capital e fechou as portas"? É exactamente assim que pensam as famosas universidades norte-americanas privadas: "ser melhor para continuar atrair capital".
É curioso, que muitos daqueles falam no "exemplo das universidades privadas americanas", falam num universo de aproximadamente dez num total de cerca de 6000 universidades públicas e privadas norte-americanas. É também curioso observar que este universo de aproximadamente dez universidades mundialmente famosas, cada vez mais se aproxima do espírito das escolas elitistas "normais", francesas e italianas, com algumas réstias do "sonho americano".
Numa altura em que muitos acreditam que o Estado "Social" está morto e se deve depenar de toda a maneira e feitio, acho que se devia olhar mais para os modelos sueco e finlândes, onde o ensino universitário é público(perto dos 100%), onde os estudantes não pagam propinas até ao mestrado (inclusivé) e são dos países do mundo com os melhores niveís de sucesso educativo.
Olhando em particular para o caso finlândes, repara-se que não é preciso os estudantes pagarem propinas elevadissimas para que exista um país com maior número de livros por habitante ou para que tenha uma das maioras empresas de produtos de telecomunicações.
Alguns poderão falar nos "últimos prémios Nobel, maioritariamente entregues a investigadores a trabalharem nas universidades norte-americanas". Acredito que se o Estado Português e as empresas portuguesas dessem os mesmos apoios económicos que os seus congéneres norte-americanos, aos investigadores em Portugal, dentro poucos anos muitos prémios Nobel seriam entregues a instituições portuguesas.
Nas universidades portuguesas deve existir um maior apoio financeiro (estatal e privado), uma maior flexibilidade e autonomia e uma maior atenção nos "resultados" do que nos "processos".
A educação superior é demasiado importante para o desenvolvimento e para a sustentabilidade de um país, para estar sujeita a uma lógica capitalista e de mercado apenas controlada pela lei da procura e da oferta.
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