Um tema em discussão num programa do Rádio Clube Português que me parece bastante interessante. Somos dos países da Europa em que menos se anda de bicicicleta na vida quotidiana. Acredito que existam vários factores que contribuam para esta realidade.
A geografia parece-me o mais importante de todos, não fosse a Holanda o país com maior número de ciclistas da Europa e um dos mais planos. Em algumas cidades (ou zonas de cidades) portuguesas é irrealista pensar que a bicicleta é um meio de transporte viável. As zonas velhas de cidades como Lisboa, Coimbra ou Portalegre não convidam a tal hábito. No entanto, algumas cidades portuguesas (de qual Aveiro não é exemplo), não tiram proveito da sua geografia e deixam-se entupir de automóveis desnecessáriamente.
Outro factor é a mentalidade. Ao contrário do que acontece em muitos outros países, mesmo do Sul da Europa, onde a bicicleta é vista como um meio de transporte, em Portugal é maioritariamente encarada apenas como um meio de lazer ou desportivo. Parece-me que é esta mentalidade que gera opniões um pouco utópicas de querer andar de bicicleta em algumas zonas urbanas, sem que exista uma geografia que o permita.
Um terceiro factor é o problema dos centros urbanos e sub-urbanos. Nos países em que a bicicleta é vista como um meio transporte quotidiano, as distâncias percorridas entre o trabalho, a casa e os espaços comerciais são relativamente curtas. Isto acontece principalmente em locais onde as pessoas habitam perto do seu local de trabalho. Em Portugal, e em particular em Lisboa, é já famosa a saída de população do centro para os arredores da cidade. Assim, as distâncias a percorrer são longas e torna-se pouco cómodo a utilização de tal meio de transporte em zonas urbanas.
Em último, a falta de infraestruturas para o efeito. Em locais onde a geografia convida a tal hábito, faltam vias somente destinadas a bicicletas, evitando assim, qualquer acidente com viaturas motorizadas. Um dos exemplos que me parece gritante foi a pista criada para ligar a rotunda Centro-Sul ao Centro Comercial Almada Fórum, que apesar de ter sido uma boa ideia, parece-me bastante incompleta. Esta pista poderia ligar também a estação do comboio do Pragal, as duas faculdades existentes na zona e chegar à zona balnear da Costa da Caparica.
Em muitos milhões de euros que se gastam em Portugal em alcatroar auto-estradas será assim
tão irreal gastar um pouco mais, para criar cerca de uma dúzia de kms para uma ciclopista?!
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