Desde o final do século XX até à actualidade (ínicio do século XXI) Portugal tem vivido debaixo de uma nuvem de "mediocridade". Esta nuvem, na minha opnião, tem origem na relutância pelo trabalho intelectual que instalou em Portugal na segunda metade do século do XX.
O trabalho intelectual é mal visto em Portugal a todos os níveis. Para além de ser mal remunerado é dramaticamente mal visto pela sociedade. A percepção de que existe uma recusa pelo trabalho intelectual provém de vários lados, desde a falta de empregabilidade de pessoas com licenciaturas, mestrados e doutoramentos, à falta de investimento privado em investigação, nas altas taxas abondono escolar antes do 12º ano e até mesmo nas frases que quotidianamente escutamos, "estudar pra quê?! tens é que ir trabalhar e ganhar dinheiro" ou "tenho um familiar que sabe umas coisas e desenrasca isso".
O trabalho intelectual e o acesso à informação tem sido crucial para a História das Civilizações e para História de Portugal. O trabalho intelectual, o estudo e a formação têm sido chaves para o desenvolvimento das sociedades. Na actualidade isso observa-se em diferentes países e em diferentes áreas, aqueles que investiram em trabalho intelectual, são considerados casos de sucesso, a informática nos EUA ou a produção vínicula em França são bons exemplos disso. No entanto, não é preciso ir tão longe, basta pensar que o sucesso dos Descobrimentos Portugueses, se deve em grande parte tanto ao conhecimento nautico produzido em Portugal como ao conhecimento importado dos países Árabes e Ásiáticos ou mais actualmente, que parte do sucesso de José Mourinho se deve a um forte investimento em trabalho intelectual durante a sua licenciatura que posteriormente foi exponenciado pela sua experiência profissional.
Em Portugal é preciso começar valorizar o estudo, a formação, a profissionalização e a produção de conhecimento. Portugal tem que deixar de viver na base "desenrascanço" e seguir os países mais desenvolvidos vivendo com base no "profissionalismo" não apenas "experimental" mas de "formação".
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