É com prazer que leio os habituais comentários que o prof. António Câmara, escreve no Expresso Economia. Na edição deste sábado, dia 18 de Agosto, faz uma curta comparação de alguns aspectos da mentalidade Europeia e da mentalidade Norte-Americana. Apesar de no geral estar de acordo, especialmente quando refere que nos EUA se acredita mais jovens que na Europa (basta ver as grande empresas tecnológicas criadas por jovens com menos 30 anos no EUA...), existe um tópico que merece uma reflexão mais cuidada, os "empréstimos bancários". O professor menciona o facto de nos EUA haver um hábito de pedir empréstimos para o inicio da actividade empresarial que não existe na Europa. No entanto, se limitarmos esta comparação a Portugal (em vez da UE) podemos perceber alguns razões desta diferença.
É verdade que existe um problema das entidades financiadoras em arriscar em jovens "pouco conhecidos", no entanto, também acredito que poucos jovens arriscam. Se é verdade que nos EUA os jovens pedem empréstimos para pagarem os seus estudos, é também verdade que os salários atribuidos no EUA são, em geral, superiores aos portugueses. Tenho dúvidas que nos EUA exista o hábito de pedir um empréstimo bancário para comprar uma televisão, um frigorifico, roupa ou até mesmo umas férias como se praticou, e ainda se pratica, em Portugal. Parece-me assim natural, que uma sociedade que anda completamente afogada em empréstimos bancários nas suas actividades quotidianas tenha alguma aversão ao crédito para situações mais ambiciosas como financiar os estudos ou até mesmo uma actividade empresarial. Acredito que a partir do momento em que os portugueses tenham, no seu quotidiano, um maior poder de compra, sem precisarem de empréstimos para coisas que hoje são tão banais como comprar electrodomésticos, que também começaram a pedir empréstimos para as suas próprias actividades empresariais. Esta é principal razão porque muitos jovens Europeus, e em particular Portugueses, partem para os EUA e de lá não saem.
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